Marina de Lagos
Código de conduta ambiental

1. DEPOSIÇÃO DE LIXOS TÓXICOS

Existem contentores específicos para deposição de resíduos tóxicos, tais como óleos usados e pilhas.
Estes tipos de resíduos devem ser unicamente depositados nos locais apropriados, de modo a serem depois recolhidos por entidades competentes, que os encaminharão para tratamento.

  • ÓLEOS USADOS
    Contentores azuis localizados nos dois extremos do Centro de Apoio Náutico.
    O vazamento para o contentor deve ser feito com atenção para evitar derrame e contaminação da área circundante.
    Os contentores são esvaziados regularmente; todavia, caso se verifique que estão cheios, é aconselhável informar um funcionário da Marina de Lagos.
  • PILHAS
    Contentores amarelos localizados no extremo Sul do Centro de Apoio Náutico e junto ao portão de acesso aos pontões F, G, H e I.
    As pilhas utilizadas não devem ser depositadas nos contentores de lixo doméstico porque existe o risco de contaminação por derrame de metais pesados altamente tóxicos e que não são bio degradáveis, como cádmio, chumbo e mercúrio.


2. LIXO DOMÉSTICO

Não deite qualquer tipo de lixo para o chão. Utilize as papeleiras e contentores.

Os contentores de lixo situam-se nas traseiras do Edifício Comercial. Todo o lixo doméstico deve ser separado de acordo com os seguintes tipos de contentores para reciclagem existentes na Marina de Lagos:

- Vidro
- Latas
- Papel e cartão
- Plásticos e embalagens
- Restantes resíduos domésticos
 

As instruções sobre os materiais proibidos estão afixadas nos contentores.

  • VIDRO
    Contentores nas traseiras do Centro de Apoio Náutico e entrada Norte da Marina.
    As garrafas, frascos e outros recipientes devem estar lavados e ser depositados sem rolhas, tampas e outras peças que não sejam de vidro.
  • LATAS
    Contentor no extremo Sul do Centro de Apoio Náutico.
    Todas as latas devem estar lavadas.
  • PAPEL E CARTÃO
    Contentores nas traseiras do Centro de Apoio Náutico.
    Não devem ser depositados papéis plastificados ou sujos.
    As caixas devem ser desmanchadas e colocadas dentro dos contentores.
  • PLÁSTICOS E EMBALAGENS
    Contentores nas traseiras do Centro de Apoio Náutico.
    Todos os materiais devem estar limpos.
  • LIXO COMUM
    Contentores nas traseiras do Centro de Apoio Náutico, junto ao edifício administrativo, junto ao hotel Marina Club, e entrada Norte da Marina.
    O lixo deve estar sempre acondicionado dentro de sacos de plástico resistente, bem fechados, de modo a evitar cheiros e sujidade.
    As tampas dos contentores devem permanecer sempre fechadas.
    Não deve ser deixado qualquer lixo nos pontões, de modo a evitar cheiros, sujidade e atracção de gaivotas e outros animais.
    A deposição de qualquer tipo de lixo fora destes locais representa não cumprimento do disposto no art. 6, n.º 1, alínea c) do Regulamento de Exploração da Marina de Lagos.
  • DEJECTOS DE ANIMAIS
    Uma obrigação fundamental inerente à posse de um animal é a limpeza dos seus dejectos nas vias públicas, não só porque prejudicam a higiene dos locais, mas também porque podem provocar doenças graves. Existe um recipiente próprio para depositar os dejectos animais no passeio da Marina, em frente ao Centro de Apoio Náutico. Tenha atenção.

3. DESCARGAS DE ÁGUAS E ESGOTO

É proibido descarregar águas residuais e de esgoto dentro da Marina, seus acessos, no mar ou ao longo da costa.

A Marina de Lagos dispõe de uma estação de bombagem disponível 24h/dia, no pontão de recepção. As fichas para operar o equipamento deverão ser previamente obtidas na Recepção.
A estação está ligada à rede de esgotos municipais.

A lavagem de tanques de águas de esgoto não pode ser feita dentro da Marina, de acordo com o disposto no art. 6º, n.º 1, alínea b) do Regulamento de Exploração da Marina de Lagos. Para este fim deve ser utilizada a estação de bombagem de águas residuais. 

4. LAVAGENS E REPARAÇÕES DE EMBARCAÇÕES

Todas as lavagens dos cascos e convés devem ser feitas utilizando produtos autorizados, ou seja, ambientalmente amigáveis. De qualquer forma, aconselha-se o uso de uma quantidade mínima de detergentes, de modo a não só poupar produto, mas também minorar a quantidade de resíduo que fica na água. Os utentes que não utilizarem este tipo de produtos estão sujeitos a sanções previstas na lei.
Enquanto lava a sua embarcação, lembre-se que a água é um recurso escasso que todos devem preservar. Mantenha a torneira aberta pelo tempo estritamente necessário.

As reparações ou trabalhos nas embarcações que impliquem a utilização ou libertação de poluentes não poderão ser efectuados no posto de amarração, sob risco de contaminação do lençol de água e consequente efeito sobre as espécies marinhas, de acordo com o estabelecido no art. 6º, n.º 1, alínea h) do Regulamento de Exploração da Marina.


5. ÁREAS AMBIENTALMENTE SENSÍVEIS

Existem algumas áreas em redor da Marina de Lagos que são consideradas ambientalmente sensíveis:

O Paúl de Lagos é uma zona húmida que se encontra à entrada da cidade.
Neste momento estão em curso estudos sobre os valores ambientais da área para transformá-la numa área dedicada à educação ambiental.

O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina abrange uma faixa costeira virada para o Oceano Atlântica, entre S. Torpes e o Burgau. Muitos ambientalistas consideram esta região a mais bela de Portugal devido ao seu valioso património natural.

A Ria de Alvor situa-se na Baía de Lagos junto à costa sul do Barlavento Algarvio, entre as cidades de Lagos e Portimão, integrando os dois concelhos. Ao longo de quase 20 anos de estudos tem se descoberto uma riqueza ambiental há muito perdida na restante Europa. A Ria é muito visitada por veículos aquáticos motorizados que provocam perturbações no ecossistema. Assim, não se aproxime muito com a sua embarcação desta zona, pois estará a contribuir para a degradação deste ecossistema.

Todas estas áreas são possíveis de visitar, mas lembre-se que são zonas ambientalmente sensíveis e devem ser tratadas como tal.

- Paúl de Lagos -
O Paul de Lagos é uma planície aluvial situada no final da Ribeira de Bensafrim à entrada da Cidade. Considerada uma das zonas húmidas de eleição do Barlavento Algarvio, Paul de Lagos guarda no seu interior grandes potencialidades e apresenta uma grande riqueza ao nível da biodiversidade.
Esta zona húmida abrange uma área de 297 hectares com um conjunto de valores naturais muito interessantes no que respeita à flora e à fauna, nomeadamente através de espécies características do Algarve e da Península Ibérica. A sua vegetação e a variedade dos imensos canais naturais que irrigam essa vasta extensão funcionam como ponto de atracção não só para inúmeras aves que aí vem nidificar, como também para muitos répteis e outros animais, que proliferam nessa vegetação contribuindo assim para enriquecer a fauna deste paúl.

Podem observar-se 373 plantas distintas, 37 tipos de borboletas e libélulas, 17 espécies de répteis, 190 tipos de aves e 15 de mamíferos. O Pernilongo e a Borboleta-Monarca são as atracções principais desta reserva de habitats naturais. Espécies como as Cegonhas-Brancas e Garças-Brancas que procriam na zona de Lagos, além de outras espécies, alimentam-se e pernoitam no paúl durante todo o ano. Existem algumas aves que, embora não procriem no paúl, passam lá o Inverno, entre elas encontram-se a Águia-de-Asa-Redonda, o Perna-Vermelha e o Pardal-Francês.

Os trabalhos de campo do paúl permitiram apurar ainda uma ampla variedade de borboletas digna de referência. São comuns algumas das maiores e mais impressionantes espécies europeias. As borboletas funcionam como indicador ambiental. Na vegetação das bordas da Ribeira de Bensafrim existe uma colónia de monarcas, uma espécie migradora norte-americana ameaçada. É muito rara na Europa. O paúl de Lagos tem o privilégio de ser o sítio em Portugal onde a sua reprodução foi comprovada.

Algumas pequenas áreas mantêm-se inundadas ao longo do ano e possuem uma comunidade de plantas rica e variada. Várias destas espécies têm estatuto de protecção nacional e internacional e alguns habitats incluem-se na Directiva Habitats, o que implica obrigação de protecção.

O Paul de Lagos é uma oportunidade de aproveitar a natureza mesmo ao lado da Cidade e da Marina.

- Ria de Alvor -
A área protegida da Ria de Alvor situa-se na Baía de Lagos entre Alvor, Mexilhoeira Grande, Figueira e Odeáxere e tem cerca de 1454 hectares. A Ria de Alvor é uma laguna costeira formada pela confluência da Ribeira de Odiáxere, a Oeste, e do Rio Alvor, a Este. Encontra-se parcialmente separada do oceano pelos cordões dunares da Meia-Praia e praia de Alvor. Ao longo da paisagem dominam os pinheiros mansos, os amendoais, as alfarrobeiras e as vinhas. Ao contrário da maioria das lagoas, a Ria de Alvor contém pouca quantidade de água durante a maré baixa, altura em que se encontram expostas vastas áreas de areia e lamaçal, bem como de sapal.

A Ria de Alvor possui um número distinto de unidades ecológicas que englobam zonas húmidas e zonas terrestres. Ao longo de quase 20 anos de estudos tem se descoberto uma riqueza ambiental há muito perdida na restante Europa. Esta ria apresenta um conjunto de habitats pouco perturbados, característicos do domínio mediterrâneo, numa área relativamente pouco extensa. É constituída por um estuário, dunas, sapais, salinas, e terrenos agrícolas, sendo um excelente local para observar aves, plantas e outros animais.

Ao longo dos anos registaram-se 21 espécies de répteis dos quais se destacam o Cágado-Mediterrâneo, o Camaleão e a Tartaruga-de-Couro. Dos mamíferos são de destacar duas espécies de morcegos, Tadarida Taniotis, considerado raro, e Rhinolophus Ferrumequinum, uma espécie em perigo.

Podem observar-se 253 espécies de aves diferentes que correspondem a 120 géneros. É um importante local de passagem de aves migratórias, assim como um local de estadia para inúmeras aves durante os meses de Inverno, especialmente de aves aquáticas, de fácil observação. São de salientar as cegonhas, a Águia Pesqueira, O corvo-marinho, o Perna-Vermelha, entre outras, que dão cor ao horizonte.

Em relação aos insectos, registaram-se cerca de 640 espécies. Esta variedade só é possível devido à variedade de habitats existentes na área associada ao clima mediterrânico.

Cerca de 525 espécies de plantas vasculares foram já inventariadas nesta área, sendo a espécie mediterrânica a mais numerosa o que reflecte a influência deste clima. É de salientar a Linaria Algarviana, uma das quatro espécies conhecidas como restritas à província algarvia.

Os estuários são locais particularmente importantes para a reprodução de muitas espécies de peixes, que aí encontram um meio protegido de predadores e com abundância de alimento. Desse modo, espécies como o Linguado-Branco, entre outras, como a Sardinha e o Carapau, desovam já no estuário, onde permanecem enquanto juvenis. Algumas espécies são residentes no estuário, tais como as Solhas e o Salmonete. A Ria suporta actualmente um núcleo de habitantes locais que se dedicam à pesca artesanal dependendo directamente dessa actividade. Os principais produtos de pesca são o pargo, a sardinha, o salmonete, a amêijoa, o polvo entre outros. A sobre exploração é, no entanto, altamente indesejável na medida em que afecta tanto as pessoas como a vida selvagem. Como exemplo, a exploração de Ostra, que no passado representou uma actividade muito produtiva, cessou por completo com o crescente desaparecimento da espécie.

Presentemente, a Ria de Alvor está sujeita à pressão causada pelo elevado número de utilizadores das praias que com ela confinam (Meia-Praia e praia de Alvor) que aproveitam as dunas de forma indiscriminada para acesso, estacionamento de automóveis, e muitas vezes, na realização de actividades motorizadas. Devido à presença de Marinas na zona, a própria Ria é frequentemente utilizada como zona de recreio náutico cada vez mais diversificado, nomeadamente de veículos aquáticos motorizados. Estes provocam assim perturbações no ecossistema através de poluição sonora, emissão de poluentes e agitação das águas.

Esta área encontra-se integrada na Rede Ecológica Nacional, sendo assim proibido desenvolver a actividade de caça. Apesar disso a caça ilegal subsiste tendo como consequências o abate de espécies protegidas e perturbação do habitat.

As praias que se estendem até ao Alvor têm encantos próprios que vale a pena conhecer, contudo lembre-se que está numa reserva ecológica nacional, por isso respeite os seres vivos que lá habitam.

- Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina -
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina abrange uma extensa faixa costeira virada ao Oceano Atlântico, que começa no Concelho de Sines e termina no Concelho de Vila do Bispo, expandindo-se por uma mancha de mar aberto com 2 km de largura paralela à costa. É uma extensa zona costeira arenosa, de arribas alternadas com barrancos, praias, falésias, pequenas ilhas e rochedos, com linhas de água onde se incluem estuários, rios e ribeiros. Tem um valioso património natural – cerca de 200 espécies de aves e 750 espécies de plantas, das quais 48 são endémicas de Portugal e 12 endémicas exclusivas desta área protegida.

Esta região da costa é tida por muitos ambientalistas como a zona mais bela de Portugal. Os motivos são muitos. A fauna deste Parque Natural apresenta um conjunto de espécies que lhe conferem grande importância e valor de conservação. A Costa Sudoeste é o único local conhecido mundialmente onde a cegonha-branca Ciconia ciconia nidifica em falésias marítimas. Aqui ocorre também uma população de lontras Lutra lutra que utilizam o meio marinho como habitat de alimentação, sendo esta a única população portuguesa conhecida que desenvolveu tal adaptação. Existe uma variada avifauna nidificante, em particular nas falésias costeiras – Águia-pesqueira, Peneireiro-das-torres, Falcão-peregrino, Gralha-de-bico-vermelho, Águia de Bonelli, Garça-branca e Garça-boieira. Área importante como zona de passagem e invernagem para a avifauna migradora, devendo a factores abióticos muito particulares, bem como à fraca humanização da paisagem.

É o caso de plantas como Biscutella vicentina, Diplotaxis e Hyacinthoides vicentina, cujos nomes específicos ilustram de forma clara a sua distribuição geográfica restrita a pouco mais que os Cabos de Sagres e S. Vicente. Ainda mais raras são Silene rothmareli e Plantago almogravensis, que tinham já sido consideradas extintas quando nos anos 90 foram encontradas pequenas populações de ambas as espécies. A diversidade de habitats, largamente dependentes do substrato rochoso e dos solos e influenciados pela vizinhança do mar, favorece a existência de flora de grande valor científico, algumas mesmo raras: o samouco (Myrica faia) e a sorveira (Sorbus doméstica). Detectadas apenas no promontório de Sagres, algumas associações de plantas no mundo.

Uma das algas vermelhas que cresce na costa sudoeste portuguesa dá pelo nome científico de Gelidum sesquipedale, é uma alga com elevado interesse económico porque dela se extrai o ágar-ágar, um dos hidrocolóides cujo uso conhece maiores microbianas, à indústria alimentar, onde conhece aplicações várias (emulsificante e conservante, pectina em gelatinas e compotas, agente clarificador na produção de cervejas, vinhos e café); à indústria têxtil (cola e impermeabilizante para tecidos) ou mesmo como lubrificante na fabricação de lâmpadas.

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